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O hacker é um curioso

FG_AUTHORS: Webmaster

"O hacker é um curioso"

Por AE

São Paulo, 20 (AE) - Entrevista com Pedro Markun, do Transparência Hacker

Pode sair de tudo de uma maratona hacker de 24 horas de duração. Unir jornalistas e gente interessada em programação é, para o membro da Transparência Hacker Pedro Markun, uma oportunidade para criar um espaço de colaboração e troca. E sem "segundas intenções", como conta.

- O que é o hacker?

- O hacker é um curioso. E ponto. É uma pessoa que basicamente entende muito de um assunto ou quer entender. Você pode ter hacker de qualquer coisa. Pode ter o de computador, que faz a máquina fazer o que ele quiser, mesmo que ela não tenha sido programada para tal. Pode ter o hacker da gastronomia, que é aquele que junta três ou quatro ingredientes que supostamente resultariam num prato "x" mas acabam se transformando em uma coisa maravilhosa. E tem o hacker político, aquele que entende profundamente do sistema político, ao ponto de fazê-lo funcionar a seu favor. Em todas essas categorias há ladrão.

- Como funcionam as maratonas hackers?

- A ideia é assim: que tal passar um sábado escrevendo códigos ou programas, tentando resolver programas complexos? É um programa de fim de semana prazeroso. Para o desenvolvedor, a sensação é a mesma de um poeta que fica escrevendo poesias ou de um músico que fica fazendo músicas. Cada um com a sua arte. Mas não é só para bater papo. É para escrever. Só vai quem gosta. Quem não está a fim fica em casa. Porque é um momento de sinergia entre os participantes. Não é um evento de mercado, para apresentar projetos. É um ambiente de compartilhamento, em que as pessoas projetam juntas. Não há segundas intenções.

- Quais são as vantagens de um encontro entre hackers e jornalistas?

- O jornalismo brasileiro está bastante atrasado no quesito de compartilhamento e abertura. Promover o Hackatão é uma forma, quem sabe, de renovar processos dentro de redações, que estão engessadas desde Gutenberg. Quem melhor para falar de informações complexas - estatísticas de instituições públicas, por exemplo - do que o jornalista envolvido com um banco de dados complicado? A vantagem de um hackathon desse tipo pode ser a criação de um ambiente de troca entre jornalistas que sofrem com isso e gente que lida com tecnologia e, de repente, tem uma solução rápida para aquele problema de copiar e colar números em uma tabela de Excel ou de um PDF.

- O Hackatão pode ajudar no combate à falta de transparência na sociedade?

- Sim, espalhando a cultura da colaboração e colocando-a em prática.